OS PADRÕES DE DESENHOS DOS ESQUIZOFRÊNICOS: A FRAGMENTAÇÃO BUSCANDO A UNIDADE
Características da mente esquizofrênica
A
mente esquizofrênica caracteriza-se por alucinações e pela frágil barreira entre
consciente e inconsciente.
Como a
característica da mente esquizofrênica é a frágil barreira que separa a consciência
da inconsciência, essa é afetada e o mundo simbólico do inconsciente começa a
adentrar o mundo da consciência.
Nela
os conteúdos simbólicos do inconsciente penetram na mente consciente e os
sintomas são caracterizados por delírios, alucinações, discurso desorganizado,
comportamento grosseiramente desorganizado ou catatônico e sintomas negativos,
assim consta no DSM-5.
Desenhos dos esquizofrênicos
Os
desenhos representam justamente esse padrão de desorganização.
Como o
inconsciente tende a dominar a cena e o mundo consciente, o paciente desenvolve
alucinações e delírios e em decorrência desse estado mental seus desenhos
possuem formas circulares.
Elas
servem como representação do ego e como tentativa de “defesa psíquica” para
evitar que o inconsciente venha a dominar a consciência.
Em seu
livro: Imagens do Inconsciente, Nise da Silveira descreve que é comum as formas
geométricas e a abstração nos desenhos, que buscam sempre a organização.
Após o
surto esquizofrênico as imagens ficam cada vez mais desorganizadas, porém a
psique humana busca sempre o padrão do estabelecimento, portanto na fase em que
o paciente apresenta melhoras os desenhos vão cada vez mais tornando-se
organizados.
Outra
característica presente são aspectos simbólicos do inconsciente
penetrando o mundo real, como no caso de figuras onde as fantasias residem
junto ao mundo cotidiano.
Esse
padrão também se verifica no teste do HTP, onde ao desenhar uma casa o paciente
que apresenta o transtorno desenha na figura da casa que em si representa a
psique e o próprio indivíduo.
Elementos
do interior do seu corpo, como por exemplo os órgãos do seu corpo, demonstrando
dessa forma seu padrão mental onde o inconsciente esta invadindo o plano da
consciência, do real e do concreto.
É como
se existisse uma transparência, um limiar que desvela o que estava ali
escondido, os conteúdos ocultos do inconsciente transparecem e tornam-se
visíveis.
Outro
padrão que Jung observou nos desenhos mandálicos de pacientes esquizofrênicos
que estão narrados no livro de Nise da Silveira é a predominância dos
padrões 4, 8 e 12.
O
quatro na mandala, segundo consta no livro: O Autoconhecimento Através das
Mandalas, representa um conflito mas também a possibilidade da solução a
depender de que fase se encontra o paciente.
A
mente possui esse caráter quaternário que é visível em muitos desenhos dos
esquizofrênicos.
O oito
por sua vez, está ligado a transformação a necessidade da psique promover uma mudança
de estado.
Por
outro lado, representa também o estado interior e a estabilidade, portanto
poderia indicar tanto a estabilidade no quadro patológico como o processo em
que a psique está começando a promover a mudança do estado rumo a uma maior
organização psíquica e uma melhora do transtorno.
Já o
doze está relacionado com as finalizações e com a busca pela individualização,
também o caráter mais transcendente do inconsciente.
Representa
tanto o próprio mergulho inconsciente quanto o caráter mais abstrato e com
maior propensão aos devaneios e alucinações esquizofrênicas.


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